
|
Porão do Rock renova em edição gratuita com 40 bandas em dois dias de festival na Esplanada dos Ministérios Uma mudança radical no formato do festival marcou o Porão do Rock 2009. Sem o frio de junho/julho e em apenas dois dias (sábado, 19, e domingo, 20), o maior evento roqueiro da região mudou também de endereço. Os shows gratuitos, de bandas novas ou já consagradas, levaram, a cada noite, 50 mil pessoas, em média, à Esplanada dos Ministérios. A prévia do aniversário de Brasília como justificativa das mudanças, deixa no ar a dúvida de o que podemos esperar da próxima edição do Porão.
É certo que a principal vontade dos roqueiros é que o festival continue sendo gratuito e não perca a qualidade. No entanto, é importante também que as mudanças se estabeleçam. Além de ser o terceiro ano consecutivo de datas incertas, neste ano o suspense durou muito mais. O evento acontecia entre junho e julho e, este ano, no fim de setembro. Em 2010, podemos esperar um Porão entre junho e setembro (ou não), gratuito ou não, na Esplanada ou não. Apesar disso, esta última edição aconteceu com grandeza e mostrou que o poder do rock não se perde com facilidade.
Quatro apresentações antes do horário previsto, a banda mineira Sepultura marcou o aniversário de 25 anos de carreira em um de seus palcos favoritos. O gutural de Derrick, um dos traços marcantes da banda, anunciou: Boa noite Brasília. Representante do death metal, o Sepultura foi a 9ª atração do primeiro dia do 12º Porão do Rock. Com destaque para músicas do novo CD, A-Lex, o show foi o que mais entusiasmou os roqueiros. Até o vocalista da banda argentina Él Mató a un Policía Motorizado, Santiago Motorizado, estava disposto a esperar toda a noite para assistir a uma de suas bandas favoritas. "Voltei do hotel só pra assistir Sepultura", revelou o membro da segunda banda da noite ao Yeah! Noroeste na sala de imprensa do evento.
O centro da política do país recebeu os milhares de fãs de metal, punk, hard core, indie e outras vertentes do rock. Dentre as treze bandas que tocaram sábado, estavam as duas únicas atrações internacionais do festival. Eagles of Death Metal e a Él Mató a Un Policía Motorizado. Cachorro Grande e Ludov foram umas das bandas que também agitaram bastante o público. As apresentações começaram com uma hora de atraso e se estenderam até às 4h da madrugada, com a esperada por muitos, Angra, dentre as últimas da noite. Apesar dos atrasos serem sempre previstos, ficou provado que começar o Porão muito cedo não funciona. Marcado para as 16h, o público só começou a se formar em massa depois das 19h30.
Domingo teve, nitidamente, outra cara. Apesar de muitos cabeludos serem figurinha repetida, o segundo dia de shows atraiu um público mais versátil. A razão, claro, eram as bandas. Homenageando o rock de Brasília, a noite teve nos palcos, dentre outras, Plebe Rude, Escola de Escândalo, Detrito Federal, Raimundos, Paralamas do Sucesso e “Legião Urbana”. Esta última completou a lacuna “atração surpresa” da programação do dia.
Mais que um revivew nostálgico da maior e memorável banda brasiliense, este show foi uma homenagem a Renato Russo. Até porque “não existe Legião Urbana sem ele”, como disse Marcelo Bonfá no vídeo de abertura da apresentação. Por isso, vários rockers fizeram a vez do líder da banda, morto em 1996. Não faltou quem tenha se emocionado durante o show, assim como não há como negar que ouvir os clássicos da banda ecoarem pelo centro de Brasília significou muito. Mesmo que não estivesse alí, de fato, a verdadeira Legião, o que aconteceu não foi um mero show cover. Afinal, Marcelo Bonfá estava na bateria e Dado Villa-Lobos, na guitarra.
Se esta matéria se ateve aos
shows do Palco Principal, que foram 23, não foi diferente
durante o festival. Uma grande falha na estrutura do evento
foi a péssima localização do Palco Pílulas, onde 17 bandas
independentes tocaram. É verdade que em muitos momentos
houve um trânsito considerável de pessoas entre os dois
palcos. Mas esta “quantidade considerável” não se refletiu
no público do Pílulas. Quase sempre com uma platéia pequena,
mas não menos empolgada, este palco foi menos que o lado B
do festival. Localizado atrás do palco maior, a iluminação,
vendedores e grades que cercavam o espaço do Porão não o
alcançavam. Parecia um evento à parte. O alcance da imprensa
aos dois palcos estava democrático, no entanto, para o
público era exigida uma verdadeira “escapada” do círculo.
Texto: Marina Bártholo
Veja na seção
tv,
videos de bandas que participaram do Porão do Rock 2009
|
















